Foi como um sopro intenso na poeira fina do quintal. O temporal chegava manso e eu ainda não tinha me dado conta do perigo. Como se estivesse preso a êxtases insanos advindos de desejos cegos. Eu amava de verdade, mas eu vivia cego, vivia um desejo cego. E foi assim que pude ver, que não sou quem eu pensava, muito menos quem planejava ser. Chegar a um ponto que minhas atitudes não correspondiam aos meus princípios foi o ápice. Eu escalava uma montanha, aparentemente segura, até perceber que era a montanha errada. Eu cai. E a queda foi maior do que os meus olhos pôde calcular. Enquanto caia, estilhaços de tristeza e arrependimento dilaceravam meu corpo, pele, coração, essência. Me choquei contra o chão. Com uma força incalculável. Eu cai sobre o meu próprio quintal. E eu que tinha plantado rosas, acabei me ferindo com os espinhos que eu mesmo cultivei, atiçando a poeira que eu mesmo depositei. E como um sopro intenso, toda a poeira ficou dispersa no ar. E aos poucos eu já não enxergava nada, e aquilo era culpa minha. Meus olhos encharcados de lágrimas eram alvo fácil para o pó descansar e machucar. E machucou. Bastante. Mas eu tive que admitir o erro, a tristeza e o arrependimento. Tomei então a decisão de não escalar mais montanhas daquele tipo, porque eu tinha um terreno fértil e seguro, que me dava amor e felicidade. Respirei fundo. E quando eu já achava que tinha perdido a visão, eu percebia a opacidade do ambiente se dissipando, eu percebia a poeira densa se acalmando e pousando sobre as feridas abertas sobre o meu corpo. E doía, mas eu estava feliz. Eu podia enxergar. Eu podia te amar novamente. Como sempre te amei...
Thiago Brito

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