Neste crepúsculo inócuo, em que a noite se anuncia, pairam inquietantes meus pensamentos. Tento agarrá-los, mas a corrente que os envolve é tão forte que os levam para longe, os dissipam além do horizonte.
Neste cenário oblíquo em que me transformo, percebo a inconstância do ser humano.
Quem me dera renascer por fim como as borboletas, sair por ai contemplando com plenitude a vida lá embaixo, com asas e sem limites.
A ampulheta em cima do móvel indica-me que o tempo corre depressa, a vida constrói e destrói inquestionavelmente.
Talvez ela destrua minha vida, ou então construa-me novamente por metamorfose.
Não me recordo quantas vezes tive que me reconstituir, renascer e viver como não tivesse existido vida antes. Em meio aos erros e acertos fui me dissipando ao mesmo tempo que me reconstituindo, como num ciclo incessante.
Faz-se necessário, as vezes, esquecer tudo e recomeçar a vida, construir os sonhos e aprender a caminhar sozinho.
A vida, feita de metamorfoses, recicla nossas personalidades e, apenas, lapida o que se encontra em estado bruto.
Amanhã, quando me desprender desse envoltório, estarei novo, puro e limpo. Mais sábio e experiente.
Seja eu, você ou quem for.
Utilizaremos incontáveis ampulhetas, por vezes estaremos preocupados com os grãos de areia que desce, mas primordialmente seremos exímios colecionadores.
Colecionadores de metamorfoses.
Thiago Brito

Um comentário:
Afiado no texto,cara. Tenho me metamorfoseado pra continuar sendo quem eu sou. Um abraço.
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