O silêncio. Essa era a resposta certa correspondida à densidade habitada em meu peito; e o momento, lucidamente gritava a necessidade de nulificar qualquer aspiração carnal que houvesse, pois ela seria a faísca que poria fogo novamente num terreno que ainda não havia se recuperado do desmoronamento das vigas que sustentavam as esperanças acima das chamas que ardiam entre os corpos. Não tive escolhas se não ir. Eu perderia o controle das rédeas e você não entenderia meu sorriso torto mergulhando em teu completo olhar. Eu não tinha dúvidas, você era e é o atalho para os mais pecadores instintos e um alvo frágil para os embaraços do meu temperamento azedo. E eu, definitivamente, não seria justo. E por mais que tudo isso, para ti, soe como uma completa injustiça, minha decisão tem cheiro de proteção. Proteger-te de mim. Mas você, assim parada à minha frente, eu sinto teu olhar infiltrar minhas verdades camufladas, e eu também desmorono. Tudo fica turvo, embaça e eu me perco, sabendo exatamente onde estou, com quem estou e onde pretendo ir. E antes de ir, fui. Me entreguei extasiado à malandragem do teu olhar burlando minha timidez, ferindo um pedaço do meu orgulho e acariciando os desejos que aos poucos se personificavam em minha pele. E a única consciência que tinha me restado, então, naquele momento havia se encarregado de notar a perdição do abismo no qual eu acabara de me lançar. Com o cerrar dos olhos, o calor. Entre os corpos nus, a falta de pudor. Entre os olhares fixos, a denúncia. Em teu olhar eu encontrava o reconhecimento de pedaços meus. Um olhar que sussurrava ao pé do ouvido, um olhar traiçoeiro, um olhar perspicaz que me despia em partes, um olhar doce que aguçava um teor em minha saliva, um olhar que violava os limites de qualquer quietude - teu olhar, que me penetrou e perdeu-se, espancando todos os sentidos. A explosão. Entre as correntes frias do suor cessando as brasas, a elucidação vinha inexorável e estapeava toda e qualquer fagulha de irracionalidade. Eu estava sentenciado a deixar os sentimentos no colchão. Entre o ir e ficar, uma linha tênue. Após ter ido, a certeza de não poder ficar. Em silêncio. Essa era a forma certa de ir, definitivamente ou talvez não.
Thiago Brito

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