Andei revirando algumas cartas velhas guardadas num caixote velho escritas por um velho amor.
O tempo havia passado e eu envelhecido o suficiente pra ter uma saudade ímpar para cada ruga que se instalara em meu rosto.
Tantas foram as dúvidas dissipadas. E ao passo que iam sendo dissipadas, emergiam tantas outras, e mais e mais.
E as cartas, inúmeras por sinal, exalavam o sabor do passado.
Tinha gosto de imaturidade.
Tinha gosto de sinceridade.
Tinha um gosto bom de bons tempos.
Eu havia envelhecido, as cartas amarelado, os amores acabado e as promessas dissipado. E disso tudo havia aprendido que o tempo desfaz o presente guardando-o num caixote velho junto com os amores, mas as lembranças não ficam no velho caixote, permanecem estampados em cada ruga ao pé do olho, como raízes que alimentam e fortificam a árvore.
E essa árvore sou eu.
Thiago Brito

4 comentários:
Adorei!!!
Cartas... sempre tão significantes
Olá Thiago
Um belo texto que nos remete a um belo tempo, quando se escreviam cartas. Tenho algumas guardadas, e tenho medo de jogá-las fora e com elas irem as lembranças.
Feliz Natal
Abraço
Imaginei mesmo que você fosse gostar. O gosto por cartas, confesso que criei quando nos conhecemos. E sempre significarão muito.
Muito obrigado Wanderley. Pois é, as cartas aos poucos beiram a extinção, fato este que nós amantes da leitura e da escrita tentamos manter viva a prática de escrever cartas. Também tenho muitas guardadas. E estou certo de que nunca jogarei. A emoção de lê-las à medida que o tempo passa, é única.
Feliz Natal.
Grande Abraço
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