quinta-feira, fevereiro 24

E o vento levou


Sabe-se lá pra onde ele vai
Muito menos de onde veio
Senti-o em minha pele, tocando-me delicadamente
 e levando-me
Meu corpo permaneceu.
.
.
.
Por vezes me sinto em necessidade de me encontrar, de me compreender e me traduzir em palavras, assim como, vez por outra, sintetizo meus sentimentos. Chega um momento em que é preciso calar e ouvir o que nosso interior insiste em dizer, ver, mesmo que de olhos fechados, o que os nossos olhos veem dentro de nós e sentir o que toque nenhum jamais será capaz de mostrar. É mergulhar dentro da própria alma e perceber que não somos somente um corpo, somos acima de tudo esse dilúvio de sentimentos e razões.
.
.
.
Abri os braços então
Deixei o vento vir de encontro com o que há dentro de mim
E ele veio
Assim...
Tão inocente e devastador
Tão flexível e imponente
com suavidade foi se esquivando dos obstáculos do meu corpo 
E
foi assim, que ele levou minhas tristezas
minhas angústias
tudo que me afligia
.
Os levou
Me levou
Levou parte de mim
A parte putréfica de minha essência
E foi assim
Me levando
.
Mas meu corpo permaneceu

Thiago Brito



2 comentários:

Andre Mansim disse...

Muito bom Thiago, eu estou precisando de um vento desse que desse uma limpada na minha alma e nos meus problemas... Talvez ele viesse em forma de umas férias, já estaria bom, hahahahahha.

Dani Vidal disse...

Maravilhoso, Thiago.
Esse trecho ''. É mergulhar dentro da própria alma e perceber que não somos somente um corpo, somos acima de tudo esse dilúvio de sentimentos e razões.''

Putz, muito bom mesmo.
Parabéns.


bjo

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