Neste crepúsculo inócuo, em que a noite se anuncia, pairam inquietantes meus pensamentos. Tento agarrá-los, mas a corrente que os envolve é tão forte que os levam para longe, os dissipam além do horizonte.
Neste cenário oblíquo em que me transformo, percebo a inconstância do ser humano.
Quem me dera renascer por fim como as borboletas, sair por ai contemplando com plenitude a vida lá embaixo, com asas e sem limites.
A ampulheta em cima do móvel indica-me que o tempo corre depressa, a vida constrói e destrói inquestionavelmente.
Talvez ela destrua minha vida, ou então construa-me novamente por metamorfose.
Não me recordo quantas vezes tive que me reconstituir, renascer e viver como não tivesse existido vida antes. Em meio aos erros e acertos fui me dissipando ao mesmo tempo que me reconstituindo, como num ciclo incessante.
Faz-se necessário, as vezes, esquecer tudo e recomeçar a vida, construir os sonhos e aprender a caminhar sozinho.
A vida, feita de metamorfoses, recicla nossas personalidades e, apenas, lapida o que se encontra em estado bruto.
Amanhã, quando me desprender desse envoltório, estarei novo, puro e limpo. Mais sábio e experiente.
Seja eu, você ou quem for.
Utilizaremos incontáveis ampulhetas, por vezes estaremos preocupados com os grãos de areia que desce, mas primordialmente seremos exímios colecionadores.
Colecionadores de metamorfoses.
Thiago Brito

2 comentários:
muito bom seu texto. O ápice dele foi essa frase:
Faz-se necessário, as vezes, esquecer tudo e recomeçar a vida, construir os sonhos e aprender a caminhar sozinho.
Vc tem toda razão!!!
Passa lá no blog, atualizei.
Um abração e bom domingo!!!
Que belas palavras...
Blog gostoso de se ver...
Obrigado pela visita ao meu espaço!
Te seguindo tbm, pois vale muito a pena!!!
Abraços literários!
Postar um comentário
Suas sinceridades são Essênciais assim como a reflexão humana que proponho no Blog Essência Egocêntrica. Sinta-se à vontade, esse é o seu espaço especial dentro do blog.
Exponha-se, promova-se, divulgue e opine !